Questionários Clínicos
Equilíbrio · Risco de quedas

Escala de Equilíbrio de Berg

Avalia o equilíbrio funcional em 14 tarefas do dia a dia — desde permanecer sentado sem apoio até ficar sobre um pé só. É um dos instrumentos de equilíbrio mais usados e mais estudados na reabilitação e na geriatria.

14 itens
0–56 pontos
~15 min
↑ maior = melhor equilíbrio
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Aplicar a Escala de Berg

O que a escala avalia

A Berg mede equilíbrio funcional: a capacidade de manter e ajustar a postura durante tarefas que aparecem na vida cotidiana. Cada uma das 14 tarefas é observada e pontuada de 0 a 4, e a soma vai de 0 a 56 pontos — quanto maior, melhor o equilíbrio.

As tarefas incluem levantar-se e sentar-se, permanecer de pé com e sem apoio, transferir-se entre cadeiras, girar 360°, alcançar à frente com o braço estendido, pegar um objeto no chão e permanecer sobre um pé só.

O que ela não mede: a Berg não avalia marcha, força muscular nem resistência de forma isolada. Para equilíbrio reativo e antecipatório com mais sensibilidade, considere o Mini-BESTest; para mobilidade funcional cronometrada, o TUG.

Como pontuar

Demonstre cada tarefa ou dê as instruções como descritas no protocolo. Ao pontuar, registre sempre a categoria mais baixa que se aplica ao desempenho observado.

PontuaçãoSignificado geral
4Executa a tarefa de forma independente e segura, dentro do tempo ou da amplitude exigidos
3Executa com independência, mas com desvio do critério (tempo menor, amplitude menor, necessita supervisão)
2Executa parcialmente ou necessita de supervisão próxima
1Necessita de ajuda mínima ou de várias tentativas
0Incapaz de executar ou necessita de ajuda significativa

O critério exato varia por item — a tabela acima descreve o padrão geral. "Supervisão" significa que o examinador permanece bem próximo do paciente, sem tocá-lo.

Equipamento necessário

Cronômetro, régua, duas cadeiras (uma com e outra sem braços), um degrau ou banquinho e um objeto para pegar no chão (chinelo, por exemplo).

Como interpretar o escore

Não existe um ponto de corte universal. A Berg é mais informativa quando comparada consigo mesma: interprete sobretudo a variação entre avaliações do mesmo paciente, não o valor isolado de uma única aplicação.

≤ 45 pontos associa-se a maior risco de quedas em um modelo de dois fatores — escore de Berg combinado com história de desequilíbrio autorrelatada: sensibilidade 91%, especificidade 82% (Shumway-Cook, citado por Miyamoto, 2004). Um corte de ≤ 48 aparece na literatura quando combinado com velocidade de marcha. Use como sinalização clínica, nunca como corte diagnóstico isolado.

O risco de quedas é multifatorial: medicação, cognição, visão, ambiente domiciliar e histórico de quedas pesam tanto quanto o escore. Um paciente com 50 pontos e três quedas no último ano merece mais atenção do que um com 44 pontos e nenhuma.

Quanto de mudança é significativo?

Ao reaplicar a escala, duas perguntas diferentes precisam de resposta: a mudança é real (ultrapassa o erro de medição do teste) e ela importa (é grande o suficiente para fazer diferença para o paciente)?

LimiarValorFonte
✓ DMCS Mudança clinicamente importante7 pontosGodi 2013
✓ Mudança real Acima do erro de medição (MDC)6,2 pontosGodi 2013

Ou seja: uma variação de 3 ou 4 pontos entre duas avaliações provavelmente está dentro da variabilidade normal do próprio teste, e não deve ser lida como melhora ou piora. Os valores acima vêm de idosos com distúrbio de equilíbrio de origem neurológica (Godi 2013) — em populações de alto funcionamento a literatura relata limiares menores, mas eles caem abaixo do erro de medição e por isso não são aplicados aqui.

Efeito de teto — atenção a partir de 50/56. Acima desse escore restam menos de 7 pontos até o máximo da escala, ou seja, menos do que o próprio limiar de mudança clinicamente importante exige. Nessa faixa uma melhora real pode simplesmente não conseguir se expressar em pontos, e a ausência de progresso aparente não significa ausência de progresso. Para pacientes de alto funcionamento, prefira o Mini-BESTest.

O relatório longitudinal da ferramenta aplica esses limiares automaticamente e exibe um selo quando a variação os ultrapassa. O critério completo está descrito no manual do usuário.

Quando usar — e quando escolher outro instrumento

  • Boa escolha para idosos, pós-AVC, doença de Parkinson e outras condições neurológicas com comprometimento moderado do equilíbrio, onde a escala tem boa dispersão de escores.
  • Perde sensibilidade em pacientes de alto funcionamento, que rapidamente atingem escores próximos de 56 (efeito de teto).
  • Não substitui a avaliação do risco de quedas, que é multifatorial — combine com histórico de quedas, revisão de medicação e avaliação do ambiente.

Referências

Miyamoto ST, Lombardi Junior I, Berg KO, Ramos LR, Natour J. Brazilian version of the Berg Balance Scale. Braz J Med Biol Res. 2004;37(9):1411–21. doi:10.1590/S0100-879X2004000900017

Berg K, Wood-Dauphinée S, Williams JI, Gayton D. Measuring balance in the elderly: preliminary development of an instrument. Physiother Can. 1989;41:304–11.

Godi M, Franchignoni F, Caligari M, Giordano A, Turcato AM, Nardone A. Comparison of reliability, validity, and responsiveness of the Mini-BESTest and Berg Balance Scale in patients with balance disorders. Phys Ther. 2013;93(2):158–67. doi:10.2522/ptj.20120171

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