Questionários Clínicos
Dor · Intensidade e impacto

Inventário Breve de Dor (BPI)

Vai além da intensidade: além de quatro perguntas sobre o quanto a dor dói, o BPI mede o quanto ela atrapalha — atividade geral, humor, caminhar, trabalho, relacionamentos, sono e prazer de viver. É essa segunda parte que costuma mudar a conduta.

<strong>9</strong> itens
<strong>0–10</strong> por item
~10 min
Intensidade + interferência

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O que o instrumento avalia

A parte de intensidade pergunta pela pior dor, a menor, a média e a dor atual nas últimas 24 horas. Registrar as quatro é mais informativo que uma nota única: a distância entre a pior e a menor revela o quanto a dor oscila ao longo do dia.

A parte de interferência pergunta, em sete domínios, o quanto a dor atrapalhou. Dois pacientes com a mesma intensidade média podem ter perfis de interferência completamente diferentes — um dormindo mal, outro incapaz de trabalhar — e isso direciona a intervenção.

O inventário inclui ainda um diagrama corporal para marcar os locais de dor e uma pergunta sobre o alívio obtido com o tratamento atual, em percentagem.

Como pontuar

Todos os itens vão de 0 a 10. Na intensidade, 0 = sem dor e 10 = a pior dor imaginável. Na interferência, 0 = não atrapalhou e 10 = atrapalhou completamente. Os itens são analisados individualmente — a ferramenta não soma um escore único.

O período de referência é as últimas 24 horas. Mantenha-o constante entre as reavaliações.

Como interpretar o escore

Olhe os dois blocos separadamente. Melhora de intensidade sem melhora de interferência sugere que a dor diminuiu mas a limitação persiste — cenário comum em dor crônica, e que aponta para intervenção funcional, não apenas analgésica.

O item de alívio com o tratamento é frequentemente ignorado e é dos mais úteis: um paciente que relata 20% de alívio com a medicação em uso está dizendo, de forma direta, que o esquema atual não está funcionando.

Quanto de mudança é significativo?

Ao reaplicar o instrumento, duas perguntas diferentes precisam de resposta: a mudança é real (ultrapassa o erro de medição do teste) e ela importa (é grande o suficiente para fazer diferença para o paciente)?

MétricaLimiarSeloFonte
Pior dor30%✓ DMCSMease 2011 · fibromialgia
Dor média30%✓ DMCSMease 2011
Dor atual30%✓ DMCSMease 2011
Menor dor30%✓ DMCSMease 2011
Ativ. geralWong 2013 · ver tabela por população
Humor
Caminhar
Trabalho
Relacionamentos
Sono
Apreciar a vida

Limiares por população

Os limiares de mudança variam conforme a condição do paciente. Na ferramenta, um seletor no relatório longitudinal ajusta o valor aplicado.

PopulaçãoMétricaLimiarSelo
Metástase óssea (dor oncológica)Ativ. geral3,6 pts✓ DMCS
Metástase óssea (dor oncológica)Humor3,2 pts✓ DMCS
Metástase óssea (dor oncológica)Caminhar2,8 pts✓ DMCS
Metástase óssea (dor oncológica)Trabalho4 pts✓ DMCS
Metástase óssea (dor oncológica)Relacionamentos1,9 pts✓ DMCS
Metástase óssea (dor oncológica)Sono3,4 pts✓ DMCS
Metástase óssea (dor oncológica)Apreciar a vida3,8 pts✓ DMCS
Os limiares de interferência estão presos a uma população. Os únicos valores publicados vêm de pacientes com metástase óssea em radioterapia paliativa, e variam por domínio. Aplicá-los a fibromialgia ou lombalgia seria transportar um limiar oncológico para outro contexto — por isso, sem população selecionada, as linhas de interferência não exibem selo. A intensidade não é afetada: seu limiar de 30% é estável entre populações.

O relatório longitudinal aplica esses limiares automaticamente e exibe um selo quando a variação os ultrapassa. O critério completo está no manual do usuário.

Quando usar — e quando escolher outro

  • Boa escolha em dor crônica, oncológica e neuropática, quando é preciso enxergar impacto funcional e não apenas intensidade.
  • Mais longo que as escalas de item único — para acompanhamento muito frequente, a END é mais prática.
  • Combine com instrumentos de crenças (FABQ, TSK) quando houver suspeita de medo-evitação sustentando a incapacidade.

Referências

Cleeland CS, Ryan KM. Pain assessment: global use of the Brief Pain Inventory. Ann Acad Med Singap. 1994;23(2):129–38.

Mease PJ, Spaeth M, Clauw DJ, et al. Estimation of minimum clinically important difference for pain in fibromyalgia. Arthritis Care Res. 2011;63(6):821–6. doi:10.1002/acr.20449

Wong K, Zeng L, Zhang L, et al. Minimal clinically important differences in the Brief Pain Inventory in patients with bone metastases. Support Care Cancer. 2013;21:1893–9. doi:10.1007/s00520-013-1731-9

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