É o padrão de referência para quantificar comprometimento motor após AVC. Avalia movimento voluntário, coordenação e reflexos do lado afetado, seguindo a sequência de recuperação motora descrita por Brunnstrom.
Pontuação e interpretação automáticas, no navegador. Nenhum dado sai do seu dispositivo.
A escala mede comprometimento (impairment), não funcionalidade: descreve o que o paciente consegue mover, não o que consegue fazer no dia a dia. As duas coisas se correlacionam, mas não são a mesma — e a distinção importa ao definir objetivos.
A estrutura segue a recuperação motora típica: primeiro reflexos, depois sinergias flexora e extensora, então movimentos combinando sinergias e, por fim, movimentos isolados com coordenação e velocidade normais.
Cada item vale 0 (não realiza), 1 (realiza parcialmente) ou 2 (realiza completamente). Os itens de reflexo são pontuados apenas como 0 ou 2. Aplicação por avaliador treinado — a confiabilidade depende disso.
O escore motor total combina membro superior (66) e inferior (34), chegando a 100. Faixas de gravidade frequentemente usadas para o total: <50 grave · 50–84 marcado a moderado · 85–95 moderado a leve · 96–100 leve.
Acompanhe membro superior e inferior separadamente: eles recuperam em ritmos diferentes, e um total combinado pode mascarar melhora em um enquanto o outro estagna.
Ao reaplicar o instrumento, duas perguntas diferentes precisam de resposta: a mudança é real (ultrapassa o erro de medição do teste) e ela importa (é grande o suficiente para fazer diferença para o paciente)?
| Métrica | Limiar | Selo | Fonte |
|---|---|---|---|
| Membro superior | 6 pts | ✓ DMCS | Page 2012 · AVC crônico, déficit leve a moderado |
| Membro inferior | 6 pts | ✓ DMCS | Pandian 2016 · Nakazono 2024 · AVC crônico |
Os limiares de mudança variam conforme a condição do paciente. Na ferramenta, um seletor no relatório longitudinal ajusta o valor aplicado.
| População | Limiar | Selo |
|---|---|---|
| Déficit moderado a grave | 12 pts | ✓ DMCS |
O limiar sobe com a gravidade do déficit: quanto mais comprometido o paciente, maior a margem disponível e maior a mudança necessária para ser considerada importante. Por isso o membro superior tem uma opção de população para déficit moderado a grave. A literatura descreve ainda um gradiente por fase da lesão — no AVC subagudo o limiar do membro superior sobe para cerca de 9 pontos. Como gravidade e fase são eixos distintos, o seletor da ferramenta usa apenas a gravidade; se o paciente está na fase subaguda, considere esse valor ao ler o selo.
O relatório longitudinal aplica esses limiares automaticamente e exibe um selo quando a variação os ultrapassa. O critério completo está no manual do usuário.
Fugl-Meyer AR, Jääskö L, Leyman I, Olsson S, Steglind S. The post-stroke hemiplegic patient. 1. A method for evaluation of physical performance. Scand J Rehabil Med. 1975;7(1):13–31.
Maki T, Quagliato EMAB, Cacho EWA, et al. Estudo de confiabilidade da aplicação da escala de Fugl-Meyer no Brasil. Rev Bras Fisioter. 2006;10(2):177–83. doi:10.1590/S1413-35552006000200007
Page SJ, Fulk GD, Boyne P. Clinically important differences for the upper-extremity Fugl-Meyer Scale in people with minimal to moderate impairment due to chronic stroke. Phys Ther. 2012;92(6):791–8. doi:10.2522/ptj.20110009
Nakazono T, Amano S, Saita K, Takahashi K. A scoping review of minimal important change and minimal detectable change of the Fugl-Meyer Assessment Lower Extremity scale in patients with stroke. Phys Ther Res. 2025;28:137–44. doi:10.1298/ptr.E10324