Questionários Clínicos
Marcha · Velocidade

Teste de Caminhada de 10 Metros (TC10m)

Mede a velocidade da marcha em metros por segundo. É simples ao ponto de parecer trivial, e mesmo assim prediz hospitalização, institucionalização, capacidade de atravessar a rua e mortalidade — o que lhe rendeu o apelido de "sexto sinal vital".

<strong>Velocidade</strong> em m/s
~5 min
↑ maior = melhor
Confortável e máxima

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Aplicar o TC10m

O que o instrumento avalia

A velocidade da marcha integra força, equilíbrio, coordenação, capacidade cardiorrespiratória e confiança para caminhar. É justamente essa integração que explica seu poder preditivo: um sistema que falhe em qualquer ponto reduz a velocidade.

Mede-se normalmente em velocidade confortável (a que a pessoa adota naturalmente) e, opcionalmente, em velocidade máxima. A confortável é a mais usada para prognóstico; a máxima revela a reserva funcional disponível.

A velocidade da marcha é uma das medidas mais responsivas da reabilitação — costuma melhorar antes de escalas de equilíbrio e de independência funcional.

Como pontuar

Use um percurso com aceleração e desaceleração: marque 10 metros de medida com pelo menos 2 metros extras antes e depois, e cronometre apenas o trecho central. Isso evita contaminar a medida com a partida e a parada.

Faça pelo menos duas tentativas e use a média. Registre o uso de dispositivo de auxílio e mantenha-o constante — a velocidade com e sem andador não é comparável.

Como interpretar o escore

As faixas de Perry, amplamente usadas, descrevem a capacidade de deambulação: abaixo de 0,4 m/s deambulação domiciliar · entre 0,4 e 0,8 m/s comunitária limitada · acima de 0,8 m/s comunitária plena.

Cerca de 1,2 m/s é a velocidade tipicamente necessária para atravessar uma rua dentro do tempo de um semáforo. É um marco funcional concreto e fácil de comunicar ao paciente.

Quanto de mudança é significativo?

Ao reaplicar o instrumento, duas perguntas diferentes precisam de resposta: a mudança é real (ultrapassa o erro de medição do teste) e ela importa (é grande o suficiente para fazer diferença para o paciente)?

MétricaLimiarSeloFonte
Velocidade da marcha0,1 m/s✓ DMCSBohannon 2014 · revisão sistemática

Limiares por população

Os limiares de mudança variam conforme a condição do paciente. Na ferramenta, um seletor no relatório longitudinal ajusta o valor aplicado.

PopulaçãoLimiarSelo
AVC subagudo grave0,16 m/s✓ DMCS
Lesão medular incompleta0,15 m/s✓ DMCS

O valor geral de 0,10 m/s é o piso de um intervalo robusto derivado de revisão sistemática. Uma mudança de 0,05 m/s, às vezes citada, coincide com o próprio erro de medição do teste — cairia no ruído e por isso não é usada aqui.

O relatório longitudinal aplica esses limiares automaticamente e exibe um selo quando a variação os ultrapassa. O critério completo está no manual do usuário.

Quando usar — e quando escolher outro

  • Boa escolha como medida de rastreio e acompanhamento em qualquer população que caminhe — geriatria, neurologia, ortopedia.
  • Padronize o percurso: distância medida, zonas de aceleração, calçado e auxílio precisam ser idênticos entre avaliações.
  • Combine com o TC6 quando interessar resistência, e não apenas velocidade — são medidas complementares.

Referências

Perera S, Mody SH, Woodman RC, Studenski SA. Meaningful change and responsiveness in common physical performance measures in older adults. J Am Geriatr Soc. 2006;54:743–9. doi:10.1111/j.1532-5415.2006.00701.x

Bohannon RW, Glenney SS. Minimal clinically important difference for change in comfortable gait speed of adults with pathology: a systematic review. J Eval Clin Pract. 2014;20(4):295–300. doi:10.1111/jep.12158

Tilson JK, Sullivan KJ, Cen SY, et al. Meaningful gait speed improvement during the first 60 days poststroke: minimal clinically important difference. Phys Ther. 2010;90(2):196–208. doi:10.2522/ptj.20090079

Novaes RD, Miranda AS, Dourado VZ. Velocidade usual da marcha em brasileiros de meia idade e idosos. Rev Bras Fisioter. 2011;15(2):117–22. doi:10.1590/S1413-35552011000200006

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